"Eu estou aqui para confundir, e não para explicar!" (Chacrinha)

quarta-feira, 20 de junho de 2012

09 - DONA ONETE - MESTRE LAURENTINO - FAFÁ DE BELÉM - GABY AMARANTOS





Dona Onete



 Gaby Amarantos

Fafá de Belém

Mestre Laurentino




AS PÉROLAS DA AMAZÔNIA



Hoje vamos ouvir a música da Amazônia. O post é
sobre a música da região norte, mais especificamente
a do Estado do Pará, o novo celeiro da música
brasileira. Na verdade, novo pra nós, porque a região sempre foi
um grande celeiro musical.
Pra começar, no ciclo da borracha na Amazônia essa região era
uma das mais promissoras do Brasil,
havendo até mesmo uma forte cena erudita, que se estabeleceu
com a construção (entre 1867/1874) do belíssimo e legendário
Teatro da Paz, que foi palco
de "O Guarani", encenado pelo próprio Carlos Gomes.
O que chama a atenção na música do Pará é a
mistura de ritmos, a música indígena, a música negra,
o reggae da América Central, a guitarrada, a lambada,
o carimbó, a música brega, sem contar os inúmeros
ritmos da recente e badalada música paraense,
como o Tecnobrega; atual sensação no país inteiro.
Mas toda essa riqueza ficava escondida no extremo
norte do Brasil. A única cantora que teve projeção
nacional foi Fafá de Belém, que encantou o país nos
anos 70 e próximos com sua voz dramática, e
trazendo no corpo e na alma toda a energia das
festas paraenses. Nada demais para uma cantora
que carrega a capital do Estado até no próprio nome. 
Se hoje a hora e a vez é da esfuziante
GABY MARANTOS, saibam, portanto, que ela tem
mãe: DONA ONETE; pai: MESTRE  LAURENTINO; 
e irmã mais velha: a própria FAFÁ.
Claro que tudo metaforicamente; mas depois de ver
toda a postagem
desta conexão amazônica, vocês entenderão que
Gaby Amarantos não está aí de bobeira; muito menos
de passagem.
A diva tem pedigree!
E futuro!!  




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PAIXÃO CABOCLA

Divina!! DONA ONETE é simplesmente divina. Já não é mais
apenas orgulho do Pará. É orgulho nacional!! Pena que só agora foi descoberta
pelo Brasil (e pelo mundo). Para o resto do país carimbó era apenas "Sinhá Pureza".
Mas a cantora e compositora Dona Onete mostra pra gente que carimbó também
é "Sinhá Paixão".
Eu mesmo já estou apaixonado por ela, que me enfeitiçou como uma Iara,
a deusa do Rio Amazonas, que seduz os homens com seu canto. 






Dona Onete



AMOR BREJEIRO 

DONA ONETE nasceu em Cachoeira do Arari, mas passou
a infância em Belém, e depois passou boa parte da vida em Igarapé-Miri, na
Ilha de Marajó, onde conviveu com os ritmos regionais, como o carimbó, o
banguê, e o bumba-meu-boi. Foi professora de História e  Estudos Paraenses, além de organizar
grupos folclóricos, "cordões de pássaros" e agremiações carnavalescas.
Ou seja, aos 72 anos de idade, Dona Onete canta a música paraense com
total conhecimento de causa.




 Dona Onete





LOURINHA AMERICANA

João Laurentino da Silva, o  MESTRE LAURENTINO,
é um senhorzinho de 86 anos de idade, conhecido no Pará como o roqueiro
mais antigo do Brasil. Neto de escravos, nasceu em 1926 no arquipélago de Marajó.
Vive hoje na Ilha do Outeiro, região metropolitana de Belém. É pai de 16 filhos e
dono de 14 cães. Coleciona chapéus, relógios e anéis. Teve música
(Lourinha Americana) gravada pelo Mundo Livre S/A e uma de suas máximas é:
"No galho de nossas fantasias, cada um tem sua aranha" (!!).
E aí me respondam, é roqueiro ou não é?? 
Vejam o vídeo e tirem suas conclusões. Grande Mestre Laurentino!!





 Mestre Laurentino






REINO DA ENCANTARIA

E na Amazônia também tem batuque, e dos bons!
O sincretismo religioso, parecido com o de outras regiões brasileiras,
ainda se mistura aqui, na música de DONA ONETE, com as
lendas da Iara (Uiara), do Boto e da Cobra Grande. Combatidas no passado, as
músicas de terreiro e as de origem africana em geral eram discriminadas, mas
venceram o preconceito quando foram descobertas e incorporadas por
músicos "ungidos", como Vinícius de Moraes. Quem agora ousaria contrariar?!
Confiram, então, Dona Onete, a primeira dama da Amazônia. Lindo demais!
Saravá!





Dona Onete





VERMELHO

A própria Gaby Amarantos diz que FAFÁ DE BELÉM é a sua "irmã mais velha",
de quem recebeu total apoio no início da carreira; e até hoje são grandes amigas.
Fafá apareceu no cenário nacional em 1975, fazendo sucesso com a música
"Filho da Bahia", de Walter Queiroz, que fazia parte da trilha musical da novela
"Gabriela". No mesmo ano grava um compacto de duas músicas, compostas por
Caetano, Gil e João Donato.
Em 1976 grava seu primeiro disco, "Tamba Tajá", nome de uma lenda da Amazônia.
Aqui Fafá interpreta a música "Vermelho" (composição de Chico da Silva), no
Teatro da Paz, em Belém. Esta música foi gravada no disco "Pássaro Sonhador",
de 1996, em duas versões, sendo uma delas com o músico amazonense David Assayag.
Reparem nos batuques!!





Fafá de Belém






GALERA DA LAJE

Depois de ver tudo o que está aí em cima, não resta dúvida
sobre a gênese de GABY AMARANTOS. Aliás, de parte dela, porque Gaby é Tropicalista
demais pra ficar somente nessas referências. Além dessas, tem a música brega
genuína, a música eletrônica, a MPB, rock, e por aí afora. E por falar em Tropicalismo,
o próprio Caetano (sempre ele!) já gravou música com batida de tecnobrega.
Então vamos conferir, mais uma vez neste blog, a rainho do tecnobrega:
GABY AMARANTOS!! 




Gaby Amarantos



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E por falar em brega, é interessante notar como esses artistas do norte falam
do brega sem um mínimo de constrangimento. Não há este peso que há aqui no sul.
O brega é só um tipo de música e ponto. No sul, mesmo alguns cantores desse
estilo se sentem ofendidos ao ver sua música ser chamada dessa maneira. E no
Pará eles próprios se batizam assim, e se divertem e ponto.
Assim como na História da Arte tivemos o barroco e o Impressionismo com seus
nomes batizados por palavras de sentido pejorativo (mas que acabaram por absorver
esses nomes como uma afirmação) certos estão os artistas paraenses em chamar
pra si essa qualidade; e que qualidade!!
Brega is beautiful! Brega-power!


Kid Cafona.



Postado em 19 de junho de 2012.



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