"Eu estou aqui para confundir, e não para explicar!" (Chacrinha)

sábado, 7 de julho de 2012

10 - CÉU - MESTRE VIEIRA


Céu


Céu


 Mestre Vieira



O  Brasil vive hoje um momento especial; mais do que os números da economia, a faceta mais importante do momento atual é aquela que nos mostra a cara do brasileiro, ou melhor, as caras dos brasileiros. Favorecidos por políticas de inclusão social, essas caras ocupam não só espaço no meio da pirâmide social, como também na esfera cultural. Além de ter sua música divulgada e respeitada pela mídia nacional, muitos são os músicos da chamada "alta-cultura" que flertam com os ritmos da periferia; mas há uma cantora que destoa desse movimento. A cantora paulistana CÉU, em seu terceiro álbum, não apenas flerta, mas consegue uma mistura tão homogênea e harmônica de ritmos, que acaba por criar aquele tipo de ritmo que deixa os críticos de cabelo em pé ao tentar classificar uma nova música. Dentre tantas influências da cantora, destaca-se a "guitarrada", do músico paraense MESTRE VIEIRA.  

 
 
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RETROVISOR - CÉU (comp. Céu) - Este videoclipe ilustra todo o conceito do álbum. A cantora conta que todo o trabalho do disco foi concebido por uma imagem: "a estrada". Portanto, seria um road-disco, que contasse os "causos" e impressões das estradas, partindo de uma geografia que começa em São Paulo, passa pelo nordeste e pelo norte do país e chega às fronteiras da América Latina. Uma viagem de ritmos. O título do álbum, "Caravana Sereia Bloom", remete por sua vez à "Caravana Rolidei" do road-movie "Bye-bye, Brazil", de Cacá Diegues. Acertou em cheio!!  




Céu


BAILE DE ILUSÃO - CÉU (comp. Céu) -  Maria do Céu Whitaker Poças nasceu em São Paulo em 17 de abril de 1980. É filha do maestro, compositor e produtor musical Edgar Poças e da artista plástica Carolina Whitaker.Céu Iniciou sua carreira musical em 2002.
O vídeo faz parte da turnê internacional da cantora neste ano para a divulgação de seu novo álbum. Vídeo gravado em apresentação na Inglaterra, no programa Later with Jools Holland, em abril de 2012. A turnê internacional ainda incluiu França, Alemanha, Suiça, R. Tcheca, EUA e Canadá.




Céu



AMOR DE ANTIGOS - CÉU (comp. Céu) - A cantora e compositora lançou seu primeiro álbum em 2005, chamado apenas CÉU. Esse disco apareceu na primeira posição nos rankings "Heatseekers" e "World Music", e na posição 57 do "hot 100", todos da Billboard, sendo a mais alta posição nas paradas dos EUA já alcançada por uma artista brasileira, desde Astrud Gilberto com "Garota de Ipanema, em 1963. Em 2009 é a vez de "Vagarosa", título de seu segundo álbum, que vendeu 25 mil cópias na Europa e 100 mil nos Estados Unidos.  Nesses álbuns, além das referências brasileiras, samba e MPB, a cantora também percorre por outros ritmos como o hip-hop, afrobeat, reggae, jazz e R&B. O vídeo abaixo faz parte de uma apresentação da cantora em Berlim, Alemanha, neste ano.



Céu




CONTRAVENTO - CÉU (comp. Lucas Santana/ Gui Amabis) - Este ano (2012), a cantora lançou seu terceiro álbum, "Caravana Sereia Bloom". Todas as músicas de Céu desta postagem são desse disco. Dentre as referências musicais do álbum, Céu cita  o músico Mestre Vieira, e seu disco "Lambada das Quebradas", o cantor de carimbó Pim, o cantor brega Alípio Martins, o peruano Trio Los Panchos e a cantora Eydie Gorme.





Céu



FALTA DE AR - CÉU (comp. Gui Amabis) - Céu é casada com o músico Gui Amabis, que além de compor, também co-produziu com a cantora o disco "Caravana Sereia Bloom". Agora, mais uma música do último disco, apresentada no programa da BBC de Jools Holland. O jornal inglês The Telegraph fez uma matéria com a cantora, apresentando-a como "a autêntica voz do novo Brasil". 




Céu


VIAJANDO - MESTRE VIEIRA (comp. Mestre Vieira) - Joaquim de Lima Vieira, conhecido como Mestre Vieira, nasceu em Bacarena, no Pará, em 1934, e foi o criador do ritmo "guitarrada", com o antológico disco Lambada das Quebradas, de 1978. Mas o ritmo só se tornaria popular no Brasil nos anos 90 com os grupos Cravo Carbono e Calypso. Segundo a cantora Céu, "se for ver a origem da lambada, vai deparar com Mestre Vieira, que tem um disco que é uma obra prima, chamado Lambada das Quebradas. É coisa de virtuoso". Vieira tem 20 discos solo gravados e em 2008 recebeu, das mãos do ministro da cultura Gilberto Gil a medalha de Ordem ao Mérito Cultural pelo seu relevante serviço prestado à cultura brasileira. Nada mais justo!




Mestre Vieira


CARAVANA SEREIA BLOOM - E para finalizar, uma entrevista com a cantora Céu, na divulgação de seu novo disco. Meu Deus, Que mulher mais linda!!


 

 Céu - Entrevista
 
 
 
 
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Céu — "Acho que o brega tem uma riqueza enorme. Acho bobagem carregá-lo de sentido ruim. É muito simples, bonito e brasileiro. Acho engraçado, eu estava refletindo sobre isso. Hoje em dia eu viajo bastante, mas por muito tempo, só conhecia Nova York, porque morei lá quando menina. E quanto mais eu viajo, mais eu vejo a riqueza do Brasil. A música brasileira não é só bossa, samba. Também é brega, é Norte, é Nordeste. E tem uma familiaridade enorme com essas outras culturas. Eu fiz o disco interessada nas origens dos ritmos latinos".
                                        (Entrevista de Céu ao jornal Zero Hora - 21/02/12)




A Caravana Sereia Bloom repete hoje a viagem do compositor Villa Lobos pela Amazônia e pelo interior do país, recolhendo ritmos de nosso povo e integrando-os ao acervo da música brasileira. Coisa parecida fizeram os tropicalistas. Céu e Mestre Vieira ilustram muito bem a mistura que existe hoje no Brasil entre culto e popular. Acredito que a música brasileira, assim como o povo brasileiro, caminha por uma estrada cada vez mais única em que todas as ideias se juntam, preservando suas características, mas respeitando suas diferenças. Nisso fecho com o Telegraph; Céu é a cara desse novo Brasil!

Eu confundo e não explico; mas não seria a confusão a própria explicação?

Abraços cafônicos!

Kid Cafona






Ouça o disco Caravana Sereia Bloom:
http://www.radio.uol.com.br/album/ceu/caravana-sereia-bloom/29485?cmpid=clink-rad-al





Postado em 07 de julho de 2012.

 
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quarta-feira, 20 de junho de 2012

09 - DONA ONETE - MESTRE LAURENTINO - FAFÁ DE BELÉM - GABY AMARANTOS





Dona Onete



 Gaby Amarantos

Fafá de Belém

Mestre Laurentino




AS PÉROLAS DA AMAZÔNIA



Hoje vamos ouvir a música da Amazônia. O post é
sobre a música da região norte, mais especificamente
a do Estado do Pará, o novo celeiro da música
brasileira. Na verdade, novo pra nós, porque a região sempre foi
um grande celeiro musical.
Pra começar, no ciclo da borracha na Amazônia essa região era
uma das mais promissoras do Brasil,
havendo até mesmo uma forte cena erudita, que se estabeleceu
com a construção (entre 1867/1874) do belíssimo e legendário
Teatro da Paz, que foi palco
de "O Guarani", encenado pelo próprio Carlos Gomes.
O que chama a atenção na música do Pará é a
mistura de ritmos, a música indígena, a música negra,
o reggae da América Central, a guitarrada, a lambada,
o carimbó, a música brega, sem contar os inúmeros
ritmos da recente e badalada música paraense,
como o Tecnobrega; atual sensação no país inteiro.
Mas toda essa riqueza ficava escondida no extremo
norte do Brasil. A única cantora que teve projeção
nacional foi Fafá de Belém, que encantou o país nos
anos 70 e próximos com sua voz dramática, e
trazendo no corpo e na alma toda a energia das
festas paraenses. Nada demais para uma cantora
que carrega a capital do Estado até no próprio nome. 
Se hoje a hora e a vez é da esfuziante
GABY MARANTOS, saibam, portanto, que ela tem
mãe: DONA ONETE; pai: MESTRE  LAURENTINO; 
e irmã mais velha: a própria FAFÁ.
Claro que tudo metaforicamente; mas depois de ver
toda a postagem
desta conexão amazônica, vocês entenderão que
Gaby Amarantos não está aí de bobeira; muito menos
de passagem.
A diva tem pedigree!
E futuro!!  




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PAIXÃO CABOCLA

Divina!! DONA ONETE é simplesmente divina. Já não é mais
apenas orgulho do Pará. É orgulho nacional!! Pena que só agora foi descoberta
pelo Brasil (e pelo mundo). Para o resto do país carimbó era apenas "Sinhá Pureza".
Mas a cantora e compositora Dona Onete mostra pra gente que carimbó também
é "Sinhá Paixão".
Eu mesmo já estou apaixonado por ela, que me enfeitiçou como uma Iara,
a deusa do Rio Amazonas, que seduz os homens com seu canto. 






Dona Onete



AMOR BREJEIRO 

DONA ONETE nasceu em Cachoeira do Arari, mas passou
a infância em Belém, e depois passou boa parte da vida em Igarapé-Miri, na
Ilha de Marajó, onde conviveu com os ritmos regionais, como o carimbó, o
banguê, e o bumba-meu-boi. Foi professora de História e  Estudos Paraenses, além de organizar
grupos folclóricos, "cordões de pássaros" e agremiações carnavalescas.
Ou seja, aos 72 anos de idade, Dona Onete canta a música paraense com
total conhecimento de causa.




 Dona Onete





LOURINHA AMERICANA

João Laurentino da Silva, o  MESTRE LAURENTINO,
é um senhorzinho de 86 anos de idade, conhecido no Pará como o roqueiro
mais antigo do Brasil. Neto de escravos, nasceu em 1926 no arquipélago de Marajó.
Vive hoje na Ilha do Outeiro, região metropolitana de Belém. É pai de 16 filhos e
dono de 14 cães. Coleciona chapéus, relógios e anéis. Teve música
(Lourinha Americana) gravada pelo Mundo Livre S/A e uma de suas máximas é:
"No galho de nossas fantasias, cada um tem sua aranha" (!!).
E aí me respondam, é roqueiro ou não é?? 
Vejam o vídeo e tirem suas conclusões. Grande Mestre Laurentino!!





 Mestre Laurentino






REINO DA ENCANTARIA

E na Amazônia também tem batuque, e dos bons!
O sincretismo religioso, parecido com o de outras regiões brasileiras,
ainda se mistura aqui, na música de DONA ONETE, com as
lendas da Iara (Uiara), do Boto e da Cobra Grande. Combatidas no passado, as
músicas de terreiro e as de origem africana em geral eram discriminadas, mas
venceram o preconceito quando foram descobertas e incorporadas por
músicos "ungidos", como Vinícius de Moraes. Quem agora ousaria contrariar?!
Confiram, então, Dona Onete, a primeira dama da Amazônia. Lindo demais!
Saravá!





Dona Onete





VERMELHO

A própria Gaby Amarantos diz que FAFÁ DE BELÉM é a sua "irmã mais velha",
de quem recebeu total apoio no início da carreira; e até hoje são grandes amigas.
Fafá apareceu no cenário nacional em 1975, fazendo sucesso com a música
"Filho da Bahia", de Walter Queiroz, que fazia parte da trilha musical da novela
"Gabriela". No mesmo ano grava um compacto de duas músicas, compostas por
Caetano, Gil e João Donato.
Em 1976 grava seu primeiro disco, "Tamba Tajá", nome de uma lenda da Amazônia.
Aqui Fafá interpreta a música "Vermelho" (composição de Chico da Silva), no
Teatro da Paz, em Belém. Esta música foi gravada no disco "Pássaro Sonhador",
de 1996, em duas versões, sendo uma delas com o músico amazonense David Assayag.
Reparem nos batuques!!





Fafá de Belém






GALERA DA LAJE

Depois de ver tudo o que está aí em cima, não resta dúvida
sobre a gênese de GABY AMARANTOS. Aliás, de parte dela, porque Gaby é Tropicalista
demais pra ficar somente nessas referências. Além dessas, tem a música brega
genuína, a música eletrônica, a MPB, rock, e por aí afora. E por falar em Tropicalismo,
o próprio Caetano (sempre ele!) já gravou música com batida de tecnobrega.
Então vamos conferir, mais uma vez neste blog, a rainho do tecnobrega:
GABY AMARANTOS!! 




Gaby Amarantos



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E por falar em brega, é interessante notar como esses artistas do norte falam
do brega sem um mínimo de constrangimento. Não há este peso que há aqui no sul.
O brega é só um tipo de música e ponto. No sul, mesmo alguns cantores desse
estilo se sentem ofendidos ao ver sua música ser chamada dessa maneira. E no
Pará eles próprios se batizam assim, e se divertem e ponto.
Assim como na História da Arte tivemos o barroco e o Impressionismo com seus
nomes batizados por palavras de sentido pejorativo (mas que acabaram por absorver
esses nomes como uma afirmação) certos estão os artistas paraenses em chamar
pra si essa qualidade; e que qualidade!!
Brega is beautiful! Brega-power!


Kid Cafona.



Postado em 19 de junho de 2012.



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