Se Odair José é o símbolo maior da geração Brega 70,outro goiano,
Amado Batista, é o símbolo maior da música brega
que permaneceu
maldita. Se Odair é hoje celebrado por expoentes da
MPB e do POP,
Amado continua totalmente às margens do
"bom-gosto" nacional. Com
músicas como "Amor Perfeito", uma pérola da
música brega, Amado é
realmente amado por milhões de brasileiros,
que já compraram
mais de 25 milhões de seus discos.
Nascido em Davinópolis em 1951, e criado em
Catalão, ambas em Goiás, Amado
Rodrigues Batista trabalhou na roça até
1965, quando se mudou para Goiânia - GO, onde
trabalhou como catador de
papel e como faxineiro. Como outros cantores
de sua geração, era fã de
Roberto Carlos, da Jovem Guarda e dos Beatles.
Recentemente gravou
com uma das musas da Jovem Guarda,
Rosemary, a canção Separação.
AMOR PERFEITO (1978)
Amado Batista teve uma loja de discos na Rodoviária de Goiânia, e foi lá que acabou conhecendo vários artistas e pessoas ligadas às gravadoras. Nessa época foi preso e torturado, por conhecer pessoas que eram contra o regime militar. Em 1975, grava seu primeiro disco, mas não chegou a fazer qualquer sucesso. Mas a música que veremos agora, "Amor Perfeito", estourou no Brasil inteiro.
Amado Batista
ACIDENTE Morando em São Paulo, Amado Batista grava seu segundo LP, "Canta o Amor", em 1977, e agora sim, emplaca o álbum e vende de cara 100.000 cópias. A música "Acidente" também foi um de seus grandes sucessos.
Amado Batista
SERESTEIRO DAS NOITES (1985)
Com o sucesso do disco anterior, assina contrato com a gravadora Continental e lança o álbum "Sementes de Amor", em 1978. Vendeu mais de 1 milhão de cópias do disco que tinha "Amor Perfeito" como carro-chefe. "Seresteiro da Noite" bem que podia ser gravada por qualquer medalhão da turma do "bom-gosto".
Amado Batista
LISTA DE COMPRAS - (1982)
Esta música é ótima! No meio da canção, literalmente, aparece uma lista de compras. E isso bem antes da música "Diariamente", de Marisa Monte. Aliás, "Lista de Compras" ficaria ótima também na voz de Nando Reis, autor daquela canção.
Lista de Compras
O JULGAMENTO Um clássico! Um marido traído e um crime passional dão o tom desta canção trágica. O mais legal é a seriedade que o cantor trata do assunto, o contrário do que a Banda Vexame faz com "Insanidade Temporária" (veja também neste blog). Com 31 discos gravados, Amado Batista já ganhou 28 discos de Platina, 28 discos de Ouro e um disco de diamante (1 milhão de cópias), inventado na época para homenageá-lo.
Amado Batista
SEPARAÇÃO
E agora um dueto de Amado batista com Rosemary. A cantora nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Aos 14 anos chegou a gravar dois discos, mas seu primeiro álbum viria apenas em 1965: "Igual a ti não há ninguém". Chegou a ser cogitada para ser a apresentadora do Programa "Jovem Guarda", com Roberto e Erasmo, mas perdeu o posto para ninguém menos que Wanderléa.
Amado Batista e Rosemary
Ao fim de mais uma postagem, é bom lembrar que a música brega não tinha este nome nos anos 70. Este é um termo que foi dado posteriormente de forma pejorativa, mas que acabou por se tornar o nome de um estilo riquíssimo, e que hoje encanta vários artistas "não-bregas", que redescobriram a riqueza dessa música. Vocês poderão ver vários exemplos neste blog. Infelizmente, Amado Batista não foi um dos descobertos, mas ele não deve estar nem aí. Independente disso, continua fazendo sucesso com seu público cativo, e esse caráter "marginal" faz dele um legítimo underground do brega! Forever Brega! Com muito orgulho, sim senhor!
É claro que neste blog não poderia faltar o funk carioca. A princípio pensei em falar sobre as origens desse ritmo do Rio de Janeiro, mas entre tantos nomes não pude resistir ao carisma de CLAUDINHO E BUCHECHA. Somado a isso, neste mês de julho completaram-se dez anos do fim da dupla, causado pela morte prematura e trágica de Claudinho. Momento então de prestar uma justa homenagem. O funk carioca nasceu e ainda persiste como uma música maldita, massacrada pela crítica dos guardiões do bom-gosto. "Som de preto, pobre e favelado" (yes, baby, isso é letra de funk), assim como também era o samba, o funk carioca conseguiu espaço justamente num programa de uma loira, linda e rica (e por muitos, talvez por isso mesmo, odiada) apresentadora gaúcha chamada XUXA, que ajudou a divulgar a música dos morros do Rio de Janeiro. Aliás, esta homenagem também se extende à apresentadora, por sua atenção à cultura da periferia, antecipando o que a maravilhosa Regina Casé faz hoje em seu programa "Esquenta". E para a nossa tradicional confusão entre bom-gosto e mau-gosto, temos ainda dois vídeos de artistas "chics" que também se renderam aos encantos da dupla funkeira: a banda pop carioca KID ABELHA e a também gaúcha ADRIANA CALCANHOTTO.
RAP DO SALGUEIRO - C & B
Claudinho e Buchecha nasceram em São Gonçalo, Rio de Janeiro, em 1975. Eram amigos de infância. Adolescentes, se reecontram no bairro do Salgueiro e, em 1992, vencem um concurso de rap com o "Rap da Bandeira Branca". Trabalhando na construção civil e frequentando bailes funk, iniciariam definitivamente a carreira somente em 1995, ao vencerem mais um concurso com o "Rap do Salgueiro", que estourou no Rio. E em 1996 lançam o primeiro CD: "Claudinho e Buchecha".
Claudinho & Buchecha
SÓ LOVE - C & B
Em 1997 lançam o CD "A Forma" e em 1998 o álbum "Só Love", com a música de mesmo nome. Aos poucos, a dupla vai levando o funk carioca para uma batida mais pessoal, mais pop, mais suave, mais romântica, mais melódica, e vai se tornando cada vez mais popular. A liberdade artística rompe os limites do funk; Claudinho investe fundo em aulas de violão, incorporando este instrumento em suas apresentações. Depois, além do DJ, a dupla começa a se apresentar com uma banda. Essa evolução, ou "sacação", só é possível aos grandes artistas.
Claudinho & Buchecha
QUERO TE ENCONTRAR - C & B
Em 1999 é a vez do álbum "Claudinho & Buchecha ao Vivo" e, no ano 2000, "Destino". Claudinho cita como suas referências: Tim Mais, Ice T, Puff Daddy, Fundo de Quintal e Papa Winnie. E Buchecha cita: Soul for Real, Lulu Santos, Alcione e No Doubt. O funk carioca nasceu por influência do funk e do rap americanos e do soul dos anos 70 (que já estava enraizado na música brasileira) e como em outras partes do mundo, se "contaminou" com as cores locais.
Claudinho & Buchecha
FICO ASSIM SEM VOCÊ - C & B
No ano de 2002 lançam o último disco: "Vamos Dançar". Este álbum trazia uma das profecias mais tristes da música brasileira; a música "Fico assim sem você" (sem dúvida um clássico do pop nacional) tinha a famosa expressão "Buchecha sem Claudinho". Na volta de um show em Lorena, interior de São Paulo, Claudinho morre em um acidente automobilístico, em 13 de julho desse mesmo ano. É o fim da dupla mais famosa e mais carismática já produzida pelo movimento funk carioca. Saudades!!
Claudinho & Buchecha
QUERO TE ENCONTRAR - KID ABELHA
Formada atualmente por Paula Toller, George Israel e Bruno Furtado, o Kid Abelha, também do Rio de Janeiro, gravou seu primeiro álbum (com uma formação diferente) em 1984, e é uma das bandas da famosa geração do Rock anos 80. Em 2002 gravaram o excelente disco ao vivo "Acústico MTV", que icluiu a música de Claudinho & Buchecha. O que mostra a mente aberta (e inteligente!) do grupo. E quem diria que o funk ainda seria tocado por cordas e metais e ainda com a belíssima voz da belíssima Paula Toller?!
Kid Abelha
FICO ASSIM SEM VOCÊ - ADRIANA CALCANHOTO
Gaúcha de Porto Alegre, Adriana nasceu em 1965. Em 1990 lança seu primeiro disco: "Enguiço". Em 2004 assumiu a personagem "Adriana Partimpim", que também foi o título de um álbum para crianças e de uma série de shows pelo país. Nesse disco gravou a hoje lendária "Fico assim sem você", de Claudinho & Buchecha. A chiquérrima Adriana já mostrou em diversas ocasiões que não está nem aí para o "Apartheid Cultural" (como diz Caetano sobre a segregação cultural brasileira); inclusive já gravou a brega "Devolva-me", entre outras. Aliás, é dela a frase que inicio este blog, junto ao título.
Adriana Calcanhotto
Termino este post um pouco melancólico, mas feliz, porque apesar da curta carreira, e apesar dos narizes torcidos de muita gente metida, Claudinho & Buchecha foram reconhecidos e se tornaram muito populares ainda em vida, e conseguiram a admiração inclusive de seus pares ungidos pelo "bom-gosto", como Adriana Calcanhotto e o pessoal do Kid Abelha. O que vem a embaralhar um pouco o gosto nacional. Afinal, onde termina o mau-gosto e onde começa o bom gosto?